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sexta-feira, 15 de julho de 2016
Comunicação Alternativa como método de inclusão: Você se sente pronto?
Equipe Educamundo
Um dos grandes fatores de transformação do mundo hoje, é com certeza, a Comunicação. As tecnologias, redes sociais, internet, tudo conspira para que, cada vez mais,
estejamos conectados, bem informados, com mais acesso à tudo o que nos interessa e também aquilo que não tem muita importância. Mas, infelizmente, há um grupo de
pessoas que está à margem deste processo. Parece lugar-comum e, infelizmente, é.
Feche os olhos por alguns instantantes, antes de continuar com a leitura, e perceberá que estes poucos instantes demorarão muito mais para passar, do que se estivesse
lendo o texto, ou apreciando alguma paisagem, retrato, pintura ou televisão. A percepção do mundo mudaria completamente e em seguida, começaria a tentar perceber
as coisas pelos sons, ou pelo tato.
Da mesma maneira, se pressionar fortemente as mãos contra os ouvidos, de maneira a reduzir quase que totalmente sua audição. Agora sua busca de informações terá
que acontecer por outros meios que não o áudio. A visão seria a primeira opção, tentar ler os lábios, ou algo assim.
Então, como se sentiu? Experimentou todas essas sensações? Foi tudo bem ou passou por algum desconforto?
Pois isso que você vivenciou agora é apenas uma centelha da sensação pela qual passam diariamente as pessoas com Deficiência. E observe que eu só simulei duas condições,
a de um cego e de um surdo. Há muitas outras pessoas que diante destas dificuldades, precisam se comunicar, e também precisam que nos comuniquemos com elas de maneira
a sermos bem compreendidos. São surdos-mudos, cegos de nascença ou não, parciais ou não, portadores de algum tipo de deficiência mental, autismo etc. Para eles, a
Comunicação Alternativa é o que vai aproximá-las da nossa convivência.
O que é Comunicação Alternativa?
É um conjunto de práticas comunicativas, que junta vários recursos para ajudar as pessoas que não possuem fala nem escrita funcional, ou que não possuam habilidades
de se comunicar satisfatoriamente em razão de deficiência ou enfermidade. Teve origem nos anos 70 e com o passar do tempo foi se aperfeiçoando e revelando-se uma
grande necessidade para a sociedade contemporânea.
O objetivo maior destas ações é tornar a pessoa com problemas de comunicação a mais independente possível, aumentando suas possibilidades de interação com a sociedade
em geral. Quando a expressão pela voz não existe, a comunicação acontece por outros meios, e por isso são utilizados todos os recursos possíveis para que a mensagem
chegue ao seu receptor com ampla compreensão.
Muitos profissionais, e de diferentes áreas estão envolvidos para aperfeiçoar essa prática. São pedagogos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais,
médicos de várias especialidades, professores, enfim, muita gente interessada em promover a inclusão destas pessoas. Eles se atualizam constantemente, além das
formações acadêmicas ligadas à área, estão em constante processo de intercâmbio através de congressos, formações, cursos online e todas as formas possíveis de fazer
com que a Comunicação Alternativa acompanhe o ritmo da vida contemporânea. E claro, não podemos esquecer que essas informações são de grande interesse e devem ser
absorvidas, especialmente, pelos pais e responsáveis das pessoas com dificuldades de comunicação.
A Comunicação Alternativa também é conhecida como Comunicação Ampliada e Alternativa e ainda como Comunicação Suplementar e Alternativa.
Como estar preparado para a Comunicação Alternativa?
Nas práticas de Comunicação Alternativa, cada pessoa necessitará de um tratamento específico, a utilização correta de uma das diversas técnicas ou tecnologias disponíveis.
Você deve conhecer, por exemplo, a famosa linguagem de sinais, e sabe que ela é utilizada especialmente para surdos-mudos, parciais ou totais. Ou ainda o Código
Braille, usado para que os cegos possam ler.
Nunca devemos esquecer que estamos lidando com seres humanos, e que não bastam simplesmente utilizar técnicas e recursos de qualquer maneira, sem fundamentação
nem conhecimento a respeito da história destas pessoas. É necessário conhecer seus desejos, suas características físicas e psicomotoras, sua família, seu convívio
social e a partir disso construir a dinâmica e escolher os melhores recursos para melhor utilizar a Comunicação Alternativa. Os resultados serão muito melhores
se tomarmos esses cuidados!
Conheça alguns dos principais recursos da Comunicação Alternativa
A comunicação não-verbal é feita através de símbolos e gestos, já falei sobre as Libras, por exemplo. Libras significa Linguagem Brasileira de Sinais, e é considerada
um Sistema de Língua de Sinais, um alfabeto para os deficientes auditivos. Além das Libras o Código Braille, feito para que os cegos possam ler.
É comum vermos uma pessoa se comunicando com um surdo-mudo e pensarmos no ato - “eles estão conversando em libras” - mas não necessariamente eles devem estar utilizando
esse sistema. É mais comum utilizar gestos de uso comum, expressões corporais que estejam dentro da realidade comunitária do deficiente, como negação com a cabeça,
cumprimento com as mãos, sinal de positivo, etc.
Uma das mais complexas situações de distúrbio de comunicação, é o autismo. Um autista geralmente apresenta dificuldades paralelas à da comunicação, como falta de
interação social e dificuldades comportamentais. Recentemente foi até tema em novela da Rede Globo. Apesar de parte da comunidade científica não concordar com a
forma como foi tratado, foi muito útil para chamar a atenção para o problema. Estes casos exigem dos profissionais da área uma combinação de vários recursos para
que haja efetividade na ação, como o uso constante de imagens, conhecidas no Brasil como símbolos de comunicação pictórica. Tudo isso além, claro, de muita dedicação.
Sempre há alguém pensando em inovações para garantir mais acessibilidade e inclusão. Existem várias técnicas e materiais disponíveis, e as novas tecnologias também
trazem modelos inclusivos para os novos formatos de comunicação, como o Talkback, aplicativo para deficientes visuais.
Existe uma lei que ampara as pessoas com Deficiência Comunicativa?
Sim. A Legislação Brasileira prevê, por exemplo, a garantia de um sistema educacional inclusivo. São várias leis e decretos que regulamentam a situação daqueles
que necessitam de inclusão. As nossas leis começaram a mudar principalmente nos anos 90, mais precisamente a partir da Declaração de Salamanca assinada por 88
países pertencentes à Organização das Nações Unidas, em junho de 1994.
Três Setores Fundamentais Para Ampliar A Inclusão
Os Setores de Saúde, Educação e Tecnologia são fundamentais para ampliar a possibilidade de inclusão das pessoas com necessidades especiais. É a partir dos dois
primeiros, em conjunto com os pais, que são identificadas a maioria das necessidades de cada cidadão com deficiência, e direcionadas as ações de comunicação alternativa
ideais para cada caso. Com essas informações a tecnologia entra em ação. Observe algumas características da relação de cada setor com a Comunicação Alternativa.
•
Saúde
É verdade que muitos profissionais de saúde precisam de formação específica para lidar com pessoas que necessitam da comunicação alternativa. Eles estão em postos
de saúde, hospitais, clínicas, serviços de socorro e remoção urgentes, e uma parte deles não está preparada para determinadas situações.
No entanto, a área da saúde tem maior proximidade com os casos de Deficiência de Comunicação, e essa proximidade é o principal fator de geração de informação para
melhora e adequação da Comunicação Alternativa. A convivência com os deficientes, com seus pais e ainda o conhecimento dos sintomas e limitações de cada caso geram
muitas informações para o setor.
•
Educação
Na Constituição Federal está escrito que a Educação é direito de todos, e também dever do Estado e da Família, e que deve ser promovida e incentivada por todos,
com o objetivo de desenvolver o cidadão e prepará-lo para o trabalho. Inclusive o atendimento educacional pleno às pessoas com deficiência, com preferência à rede
regular de ensino.
Mas, como sabemos, a infraestrutura da educação brasileira é sofrível, não precisa ir muito longe, o noticiário está cheio de exemplos. Exigir que os alunos com
deficiência sejam incluídos nas escolas regulares, chegou a gerar protestos em vários lugares do Brasil, pois muitas pessoas entenderam que as APAE’s (Associação
de Pais e Amigos dos Excepcionais) iriam fechar. Pais e profissionais da área se mobilizaram e o caso foi esclarecido, podendo a instituição funcionar normalmente.
Porém, isso não isentou as escolas e seus profissionais da necessidade de capacitar-se para a comunicação com os alunos com deficiência. Tampouco a falta de infraestrutura
justifica o não cumprimento das normas e decretos. Ações estratégicas já existem, com o Estado procurando manter a legislação e suas pequenas ações em evidência,
mas o momento pede que algo seja feito também nas microrregiões, como veremos mais à frente.
As ações de educação inclusiva são de importância fundamental para adequação dos alunos com dificuldades de comunicação. Principalmente dos mais jovens, sempre
com aquela necessidade de pertencimento aos grupos sociais, à interação e à socialização.
Tudo isso demonstra a necessidade de formação para professores, inspetores, funcionários, diretores, motoristas, auxiliares administrativos, enfim, todos os que
terão contato com esses alunos, ampliando a possibilidade de integração total. A tecnologia pode ser uma boa opção para que se realize com mais eficiência a tarefa
de transformar os estabelecimentos de ensino em locais realmente inclusivos e democráticos, quer ver?
•
Tecnologia
A internet revolucionou a nossa comunicação. E de maneira tal que hoje há pessoas considerando o e-mail coisa do passado. A velocidade e a mobilidade estão entre
os principais focos da comunicação moderna.
O termo “mobilidade” não é utilizado à toa. Mas “tecnologia” nem sempre está ligada ao mundo digital. Por exemplo, cadeirantes precisam que a tecnologia lhes dê
acesso aos mais diversos locais. Ao invés de degraus, que sejam rampas, ou de concreto, ou pneumáticas que dão acesso à prédios, ônibus, etc. O objetivo é o mesmo,
a tecnologia usada pode ser o concreto ou a mecânica.
Já a velocidade é uma necessidade que criamos conforme fomos nos adaptando à essas tecnologias. Para quem já teve a experiência de trocar correspondência no papel,
sabe que uma carta nacional, leva em média três dias para chegar ao destino, conforme o local. Em outros tempos, ninguém teria uma crise nervosa esperando três
dias por uma resposta. Hoje, essa crise pode acontecer facilmente se a sua mensagem no WhatsApp for visualizada e não for imediatamente respondida em alguns minutos.
A tecnologia evoluiu, mas e quanto a nós?
Imagine agora, pessoas que não conseguem se comunicar, que precisam de respostas, precisam de mobilidade, precisam de velocidade e não conseguem isso sem passar
por inúmeras situações diárias de constrangimento e nervosismo. A tecnologia também deve avançar em direção a estes, e por isso existem projetos muito interessantes
para inclusão digital, conhecidas como Startups Sociais. Projetos variam desde aplicativos à soluções de engenharia para inclusão.
Sabemos portanto, que todas essas preocupações em algum momento acabarão sendo direcionadas a quem desenvolve tecnologia, para facilitar a vida dos deficientes
e daqueles que precisam comunicar-se com eles. E toda inovação será sempre bem-vinda.
Outros Setores Também Devem Estar Preparados
Se alguma pessoa com dificuldade de comunicação entrar agora no seu local de trabalho, como ela será recebida? Qual o nível de transtorno e improvisação, por muitas
vezes inútil que pode inclusive causar constrangimento? E na sua igreja, clube ou associação?
Preparar-se para se comunicar com as Pessos com Deficiência é uma necessidade em todos os setores da sociedade. Desde jornalistas até o padeiro, passando pelo
estacionamento, o cobrador de ônibus, todos devem estar preparados. Não pode haver omissão de ninguém se o objetivo é termos uma sociedade inclusiva, a começar
pelo nosso bairro.
Algumas Soluções Para Promover a Comunicação Alternativa
01 – Divulgação Junto às Instituições Coletivas
No seu bairro ou vila, devem haver Instituições voltadas à coletividade, como associações, cooperativas, ONG’s e institutos em geral, igrejas e agremiações filosóficas,
clubes e sociedades. Pois todos podem colaborar com a divulgação desta necessidade social, através de materiais para seus membros e associados.
02 – Instituições de Ensino
As instituições de ensino já tem a inclusão como parte do seu conteúdo programático, e em boa parte delas, já acontecem atividades voltadas à Comunicação Alternativa.
Que tal levar estas ações à comunidade? Além de auxiliar na inclusão social, promove também o relacionamento da instituição com a comunidade local.
03 – Divulgação Junto à Empresas
Os empresários do seu bairro, geralmente muito atarefados, podem não estar plenamente conscientes do quanto podem ajudar na causa da Comunicação Alternativa, seja
facilitando o acesso para deficientes, seja com doações ou ainda capacitando os seus funcionários a lidar com as diferentes formas de deficiência que, provavelmente,
vão chegar no seu estabelecimento.
04 – Divulgação Pessoal
Todos podemos facilitar o entendimento da Comunicação Alternativa, e também promover a discussão, divulgando os meios e locais disponíveis onde outras pessoas possam
receber conhecimento sobre o assunto. Seja nos cursos online ou nos aplicativos, tudo ajuda para que os resultados sejam sempre melhores. Portanto, compartilhe
o que você já sabe, os resultados, certamente serão bem melhores.
Todos estes projetos, recursos e ações que vimos foram feitos para melhorar a vida daqueles que, diferente de nós, dependem de alguém capacitado a fazer uso da
Comunicação Alternativa. Certamente que os números sociais vão melhorar, mas a melhor recompensa será a evolução comunicativa e a gratidão dos que serão inseridos
com dignidade na sociedade.
E você, conhece alguma ação bacana ligada à Inclusão e Comunicação Alternativa? Conte pra gente!
Fonte: Equipe Educamundo
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